Histórico do nome de Família MOLON









COMUNICAÇÃO

COMUNICAÇÃO realizada pelo Dr. GIOVANNI BATTISTA MOLON* em 13/10/91 por ocasião do 1º ENCONTRO DA FAMÍLIA MOLON

Caríssimos participantes, todos membros desta grandiosa família:

Não podia recusar o convite do grande amigo Floriano, de participar direta ou indiretamente, ao evento por ele arquitetado, programado em todos os pormenores.

Admirável o seu espírito de iniciativa e de altruísmo; festa de extraordinária beleza, de espírito comunitário desta grande família Molon espalhado no mundo todo.

Não quero que as minhas palavras, no entanto, sejam tomadas no sentido definitivo. Deixo tempo às pesquisas para confirmar cientificamente, quando é dito neste momento.

Na longínqua década de quarenta, quando o professor de Grego, Pe. Francesco Pasetto, durante a tradução de um bucólica (história pastoril) me chamou a atenção sobre a palavra "Molon", eu senti algo diferente dentro de min. Nunca mais esqueci o verbo "Blosco", um verbo irregular que no pretérito passado se apresenta como eMOLON; traduzido quer dizer "vai e vem". Como ele se encontra sempre relacionado a quem "vai e vem" com as ovelhas, toma o sentido de pastor ou pastorear. Correta portanto é a dedução que ainda antes da fundação de Roma, eles, Molon, teriam percorrido as margens do mar Adriático e naquele "vai e vem" se estabeleceriam na Itália, precisamente nas colinas de Arzignano, hoje na Província de Vicenza.

Mais tarde encontraremos os MOLON entre os soldados e cinturiões romanos. Nas regiões de Arzignano, existe até os dias de hoje uma cidadezinha com o nome de CAMPO MOLON, além das maiores e famosas fábricas de tecidos de lã: Marzotto e Rossi. Ora, não há fábrica se não há matéria prima. Não existe lã se não há ovelha.

Lembro com saudade as primaveras da minha juventude, quando contemplava os pastores que desciam as colinas acompanhando as ovelhas.

Maravilhoso e adequado portanto o nosso brasão.

Prezados: tenho a certeza que o dia de hoje passará para as futuras gerações e que a palavra MOLON, lembrará sempre uma outra figura tão amada e tão sublime "Jesus", o Bom Pastor.

Sinto-me feliz por este encontro; por esta presença tão numerosa e extraordinária. Este congrassamento quer expressar também a admiração que temos para com os nossos antepassados.

As mensagens disseram ou dirão quem eles foram, o que fizeram, o que deixaram em valores materiais e espirituais e como estes foram transmitidos de geração em geração.

Levo sempre comigo e com orgulho os atributos que na minha terra natal eram aplicados aos Molon: homens honestos, prestativos, justos e trabalhadores.

Vejam o que escreve Plutarco no ano 80 antes de Cristo a respeito de Apolônio, filho de Molon, confirmando o que dissemos até agora. "Cesar foi a Rodes, ilha situada na frente e pertencente a Grécia, para tomar as lições de Apolônio, filho de Molon, do qual Cícero havia sido discípulo. Apolônio ensinava retórica, com grande êxito e gozava de reputação de homem virtuoso."

Tenho certeza também que estes sentimentos de confraternização encontrarão eco e retribuição: eles se repetirão toda vez que alguém desta grandiosa família se encontrar com aqueles do além mar. Muito obrigado por tudo e prossigamos nossa caminhada, unidos no mesmo ideal de trabalho, honestidade e fraternidade.

Até a próxima oportunidade e um grande e efetuoso abraço a todos."

* GIOVANNI BATISTA MOLON, é filho de Luigi Constantino Molon e Madlanena Zerbato, natural de Verona, emigrado em 19.. para o Brasil e, reside em Porto Alegre, casou com Maria Andreis, médico formado pela Universidade de Rio Grande/RS.

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OUTROS ESTUDOS

Molon se constitui num sobrenome bastante freqüente e típico de definidas áreas do norte da Itália. Sua incidência mais expressiva se verifica nas Regiões do Vêneto e da Lombardia, sendo que na primeira os índices de freqüência são bem mais elevados. ocorre também em regiões limítrofes, embora com índices mais modestos, sobretudo naquelas do Piemonte , da Emília-Romanha, do trentino-Alto Ádige e do Friuli-Venécia Júlia. A presença deste sobrenome na Região do Lácio é atribuída aos fluxos migratórios que deslocaram muitas famílias de suas áreas de origem em direção à capital italiana. Se assim não for, surge um problema de cunho lingüístico na interpretação do sobrenome nas áreas centrais da península, como se verá mais adiante. Nas demais Regiões, a presença deste sobrenome é ocasional e esparsa. Ante esta colocação genérica e de apresentação sobre sua distribuição areal ou geográfica na Itália, pode-se afirmar que Molon é um sobrenome tipicamente setentrional e, mais especificamente, vêneto e lombardo.

Um levantamento efetuado nas listas telefônicas de 1996/1997 de todas as Regiões e Províncias italianas apresentou um resultado condizente com quanto foi afirmado no parágrafo anterior. De fato, o sobrenome se distribui em áreas bastante definidas do território italiano. Na verdade, o sobrenome se concentra sobretudo na Região do Vêneto, onde apresenta seus mais elevados índices de freqüência nas Províncias de Vicenza, Padova, estendendo-se de modo acentuado também no território das Províncias de Verona, Rovigo. Veneza e, em menor escala, naquela de Treviso. Desta área se estende em direção sul, atingindo a região da Emília-Romanha, em direção norte, penetrando nos territórios das Regiões do Friuli-Venécia Júlia e do Trentino-Alto Ádige. Entre a Região do Vêneto e da Lombardia, verifica-se um vazio que parece indicar que nestas duas regiões o sobrenome Molon representa outro núcleo independente do anterior. De qualquer forma, em território lombardo o sobrenome se concentra sobretudo nas Províncias de Milano, Pavia, Varese, estendendo-se em direção às piemontesas de Novara e Torino. A presença do sobrenome em outras áreas ou Regiões limítrofes deve ser interpretada como expansão do mesmo, ocorrida em épocas passadas ou mais recentes.

O fato peculiar ou estranho é a presença do sobrenome Molon na região central do Lácio. Se o mesmo surgiu nessa área, provavelmente suas origens etimológicas podem se diferenciar naquelas do norte e, em decorrência, apresentar outro significado final. a maioria dos estudiosos do assunto, porém, acreditam que se trate somente de um fato migratório que levou famílias do norte para o centro da península. A argumentação apresentada é dupla. Em primeiro lugar, a capital sempre atrai, por variadas razões, migrantes de todo o país. Em segundo lugar, na época do fascismo foram saneados os grandes paludes e pantanais ao sul de Roma, tornando-os produtivos. Foi criada a Província de Latina que foi povoada por migrantes de todo o país, especialmente das áreas do norte, destacando-se entre eles os vênetos, trentinos, lombardos e friulanos. A solução para o caso seria retroceder nos séculos e verificar desde que época os Molon residem na área, pesquisa que demandaria muito tempo.

A razoável difusão deste sobrenome pode ser indício de que houve vários troncos familiares Molon, surgidos no período medieval, ao mesmo tempo e em diferentes pontos geográficos. Este fato é claro indicativo que os portadores deste sobrenome não são todos parentes entre si. Existe somente um grau de parentesco, obviamente, dentro do mesmo clã Molon, entre os descendentes do mesmo ancestral medieval, fundador de um específico núcleo familiar e que era cognominado Molon.

Estas colocações servem para sublinhar a dificuldade de estabelecer com precisão a área de surgimento do tronco familiar ou de cada um deles. A falta de documentação medieval a respeito das famílias e de seu próprio surgimento dificulta a definição de quantos eram de origem esses núcleos familiares.

Há quem acredite que não passem de dois, isto é, um vêneto e outro lombardo. Há outros que falam em quatro ou mais, afirmando que seriam de um vêneto e igualmente, bem mais que um lombardo. A maioria dos estudiosos acredita que a reduzida presença em outras áreas indica que os Molon residentes nessas áreas sejam descendentes de um dos troncos anteriores. Outros ainda chegam a admitir o surgimento de vários troncos, mas de difícil definição quanto à área ou cidade precisa de origem, defendendo, porém, que o principal ou os principais dentre eles eram originários somente dos territórios vêneto e lombardo. Outros ainda preferem admitir o surgimento de somente um que, através dos séculos, se propagou nas mencionadas áreas da Itália, uma vez que o sobrenome aparece muito concentrado em torno de Vicenza e de Padova. A discussão certamente seria interminável, uma vez que as lacunas documentais do período medieval só servem para fazer suposições e levantar hipóteses que, muito provavelmente , não serão comprovadas nunca e não levarão nunca a um consenso a respeito.

A dificuldade em estabelecer com precisão o surgimento, ao mesmo tempo e em locais diferentes, de mais de um tronco familiar Molon reside na falta de documentação histórica a respeito. De fato, no período medieval pouco ou quase nada se escrevia sobre as famílias e seus designativos ou sobrenomes. Estes aparecem, repentinamente, em documentos isolados e dispersos e passam a se repetir sempre com maior freqüência. De um modo geral, nem um levantamento genealógico rigoroso dirime esta questão, porquanto os registros sucessivos e ininterruptos das famílias e de seus membros remontam a uma prescrição pelo Concílio de Trento ( 1545-1563). Antes dessa data, inexistia qualquer tipo de documento oficial, fosse referente a nascimento, a matrimônio ou a óbito. Existiam somente crônicas e atos oficiais envolvendo a Igreja, os Feudos, os Principados, os Ducados. Condados, Marquesatos, Repúblicas e algumas poucas famílias influentes.

Estes documentos tratavam dos principais temas medievais, como distribuição de terras a colonos, doações de bens imóveis à Igreja, testamentos de nobres, compra e venda de bens, julgamentos, absolvições e condenações e atos jurídicos de variado tipo. Nestes textos, comparecem os sobrenomes dos personagens centrais, das testemunhas e dos componentes dos júris populares. Vez por outra, aparece alguma listagem dos habitantes de um povoado, de um castelo, de uma comunidade.

Nestes documentos são ‘pescados’ os sobrenomes sob forma latina, latinizada ou italiana arcaica. Estes documentos esparsos constituem a fonte principal do estudo dos sobrenomes. Às vezes, encontra-se pai e filho citados em mesmo documento. Na maioria das vezes, porém, os sobrenomes comparecem uma só vez num século; se aparecem reiteradas vezes, é raro que se repita o mesmo prenome, exceção feita quando se trata de algum nobre, de rico mercador, de célebre cavaleiro ou capitão de exércitos medievais, de cidadão das Cortes medievais, de pródigo protetor dos mesmos afortunados ou de grande benfeitor de Ordens religiosas monásticas e da própria Igreja.

Aparecem com destaque aventureiros, guerreiros, os bravos cavaleiros, os fiéis escudeiros dos nobres, os mercadores e outros cidadãos de destaque, citados no parágrafo antecedente; o povo mesmos aquinhoado comparece em listas de paróquias, como beneficiários de lotes de terras a serem cultivadas para o nobre ou rico proprietário, em litígios comunitários na exploração de terras públicas para apascentar rebanhos, para extração de lenha e madeiras, para a extração de pedras e argila para construção e outras riquezas naturais, e ainda em casos de traições, de condenações, de fugas, revoltas e outras questões que levassem a subverter a ordem pública vigente na época, etc.

Deve-se ter presente ainda que os sobrenomes, desde seu surgimento até o século XVI, quando há um grande movimento pela italianização dos nomes familiares, passam de uma forma a outra com a maior facilidade. As transcrições são feitas em latim, depois no italiano arcaico, retornam ao latim, seguem pelos caminhos dos falares regionais, num suceder-se de formas difirentes ou diferenciadas, tornando-se difícil estabelecer a forma mais usual. Isto, quando não se abandona o próprio sobrenome para assumir outro, pelas mais variadas razões. As indefinições gráficas, porém continuam até os inícios do século XIX e, em algumas áreas, até a segunda metade do mesmo século.

Estas colocações servem para sublinhar a dificuldade da pesquisa de documentos precisos sobre o surgimento, a evolução e a fixação definitiva dos sobrenomes. Retornando ao sobrenome Molon, pode-se observar na listagem anexa ao final, onde comparecem todos os assinantes das listas telefônicas italianas, portadores deste sobrenome, e sua dispersão em áreas mais ou menos distantes entre si, no território italiano. Com um pouco de paciência, aproximando-a da lista dos prefixos telefônicos e dos mapas e gráficos, pode-se facilmente definir as regiões, Províncias e cidades em que se faz presente. Aliás, num desses mapas se pode ler que o sobrenome ocorre hoje em 205 dos 8.102 municípios italianos.

Como os ancestrais dos Molon do Brasil eram originários do território vicentino, transcreve-se, a título de informação complementar, a nominata entre os 121 municípios da Província de Vicenza em que ocorre o sobrenome: Altavilla Vicentina, Arcugnano, Arzignano, Arsigliano Veneto, Barbarano Vicentino, Bassano del Grappa, Bolzano Vicentino, Brendola, Brogliano, Campiglia dei Creazzo, Crespadoro, Gallio, Grumolo delle Abbadesse, Longare, Lonigo, Montebello Vicentino, Montecchio Maggiore, Monticello Conte Otto, Montorso Vicentino, Mossano, Recoaro terme, Romano d’Ezzelino, San Germano dei Berici, San Vito di Leguzzano, Sarego, Schio, Sossano, Sovizzo, Torri di Quartesolo, Valdagno, Velo d’Astico e Vicenza.

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SUAS ORIGENS LINGUÍSTICAS E HISTÓRICAS

Sob o ponto de vista lingüístico, o nome de família Molon se constitui num vocábulo composto por dois elementos distintos: um radical representado por uma raiz que pode ter duas interpretações, como será explanado abaixo, mais a desinência latina - onis, - one que , no sobrenome comparece sob a forma final truncada, - on. Convém analisar primeiramente esta terminação, porquanto é esta que determina o significado final do sobrenome; por outro lado, sua análise é menos complexa e mais breve.

A desinência latina - onis, - one não é um sufixo propriamente dito, mas uma terminação latina dos nomes terminados em - o, como Cicero, Ciceronis, Naso, Nasonis, Maro, Maronis, Varro, Varronis, Otto, Ottonis, Leo, Leonis, etc. esta terminação era utilizada, no latin clássico, na declinação destes nomes e também vocábulos no contexto sintático da fala ou da escrita. Esta desinência foi usada, no latim medieval, indistintamente em nomes masculinos, alterando até a terminação de alguns deles, como Marcus que era dito também Marconis, Marcone.

Convém salientar que esta desinência, no latim popular medieval, assumiu também a função de aumentativo. Se Molon representa originalmente esta acepção, este deve ser interpretado como indicativo de cidadão assim chamado por ser de estatura avantajada ou por ser personagem proeminente na comunidade. Este fato, porém, é difícil de determinar por falta de documentação histórica explícita a respeito. Por outro lado, em muitos nomes, esta terminação possuía uma simples função distintiva de outro parecido, como Alberton era simples diferenciativo de Albertin, Albertino, Albertot, Albertazzo, etc. A redução desta desinência para -on é fenômeno típico dos falares regionais do norte da Itália.

O primeiro elemento que concorre na ofirmação do sobrenome Molon é de interpretação simples, mas discutida pelos estudiosos que se dividem entre duas hipóteses ou teoriais histórico-lingüísticas. Certamente o sobrenome se originou de um dos radicais invocados por essas teorias. Difícil é definir de qual deles, embora a maioria dos estudiosos defendam a primeira das hipóteses apresentadas. Apesar disso, não se pode descartar a outra, uma vez que é lingüisticamente viável e plausível, embora não atestada por textos medievais ou antigos. Ela serviria, porém, para explicar a presença do sobrenome em outras áreas geográficas, que são as setentrionais.

A primeira teoria invoca o vocábulo grego mélon, melão, na verdade, redução do vocábulo melopépon que designava a mesma fruta desta planta das cucurbitáceas, originária da África e da Ásia tropical. O termo grefo oi transposto para io latim sob a forma melo, melonis, mencionado por vários escritores. Dentre eles, basta relembrar Caius Plinius Secundus (23-79 c.C) que, em sua obra Naturalis História (19,67), cita o melão como melopepon e melo. O agrônomo Trutilius Raurus Aemilianus Palladius (séc. IV d.C.), em seus Scripta (4,9) descreve a fruta, bem como seu largo consumo, mencionando-a sempre como melo, melonis. Antes dele, o escritor Arnobius (II e III séc. d.C.) prefere a forma encurtada melo, melonis, como aparece em sua obra Disputationes adversus Nationes (2,59).

O termo latino se fixou no italiano em melone desde o surgimento do idioma no século X. Nos falares regionais setentrionais, porém , o vocábulo tomou a forma melon. A supressão da vogal final átona dos termos masculinos é fnômeno típico dos falares regionais ou dialetos do norte. O problema é comprovar a passagem da forma melon para molon. Não se tem notício de textos medievais que o comprovem, mesmo porque a transcrição dos textos era mormente feita em latim até o século XVI, fossem eles textos legais, contratos, crônicas ou notícias. Era praxe escrever em latim, mesmo porque o italiano e os falares regionais careciam de uma grafia unitária.

A prova de que molon correspondia a melon nos falares regionais setentrionais se tem através da própria fala, registrada em vocabulários e dicionários desde o século XVII. A tradição dialetal continua ainda hoje em certas áreas do norte, mormente no Vêneto, na Lambardia e no Piemonte. Os falares ou dialetos das duas últimas Regiões são menos convincentes para comprovar o fato, porquanto são de forte influência francesa e a vogal da prétônica do vocabulário melon é quase impronunciada. Mais convincente , portanto, é a subsistência do vocábulo nos falres vênetos, tanto sob a forma melon em algumas áreas bem definidas, quanto sob a forma molon em outras áreas igualmente bem determinadas. Convém, pois, recorrer aos melhores estudiosos do assunto para ressaltar que molon é um a variante regional do norte que subsiste com o termo mais original melon.

Um dos mais importantes estudiosos dos sobrenomes vênetos e um dos primeiros a conduzir esses estudos com seriedade e baseado em textos medievais, Dante Olivieri, em seu estudo intitulado I cognomi della Venezia Euganea, publicado no volume Onomastica (p.117-272), impresso em Genebra em 1923, no verbete Molon diz simplesmente que se eqüivale a melone (p.216). Por outro lado, um dos mais recentes estudiosos de onomástica, Dario Soranzo, em seu livro Cognomi dei Veneti (publicação da Finegil Editoriale, Padova, 1996), afirma que o sobrenome Molon reflete o termo vêneto molon para designar o melone que vem do grego mélin (p.138).

Consultando dicionários dos falares setentrionais, de modo particular os vênetos, lombardos e piemonteses, deve-se ressaltar que são poucos os que registram o vocábulo molon, enquanto doso eles registram melon. De fato, o Dizionario etimologico veneto italiano de G.T. Turato e Dino Durante, publicado em 1975, não menciona a variante molon de melon. De igual modo, não se encontra esta variante no Vocabolario veneto italiano de Sandro Zanotto, publicado em 1954, no mais antigo Dizionario vicentino italiano de Giulio Nazari, publicado em 1875, como também no grande e célebre Dizionario del dialetto veneziano de Giuseppe Boerio, publicado em 1856. A razão pela qual não se registra o termo nesses dicionários é desconhecida e até estranha para os que tratam de falares vicentinos e paduanos, uma vez que o sobrenome é amplamente difundido nos territórios em que subsistem estes falares.

Marcello Bondardo, porém, em seu livro Il Dialetto Veronese, publicado em 1972, afirma que molon é uma variante de melon. a melhor resposta, porém, é fornecida por Angelico Pratiem seu Etimologie Venete, publicado em 1968 pelo Istituto per la Collaborazione Culturale, Venezia.

Vale a pena transcrever algumas passagens do que ele escreve a respeito, uma vez que é considerado um dos maiores etimólogos que o Vêneto já produziu. Angelico Prati abre o verbete molon remetendo a melon. Neste ele iguala as formas usuais melon e molon, explicando que molon é termo típico dos territórios vicentino e paduano, mas invadem também consideráveis áreas do território veronês. Escreve ainda que melonaro e molonaro é o termo usado para indicar o vendedor de melões e melancias, enquanto que melonara, molonara, designa área ou terreno cultivado com melões e melancias. Destaca ainda que nos territórios veneziano, trevisano e belunês não subsistem as variantes molon, molonara, molonaro.

Ante o assim exposto, o sobrenome Molon repete a denominação da fruta descrita e pode ser tomado também como um encurtamento de molonato. De qualquer modo, o sobrenome evoca uma atividade exercida, uma profissão, isto é, a de cultivador e mercador de melões e outras cucurbitáceas. Este nome familiar relembra tanto o cultivador, quanto o vendedor ambulante, figura muito tradicional na Europa medieval e pós-medieval, não só de frutas, mas de todo objeto, gênero alimentício, tecidos, móveis, quase sempre fruto de seu trabalho agrícola e artesanal.

A segunda teoria recorre a outra raiz para explicar as origens e decorrente significado deste sobrenome. Embora a maioria dos estudiosos acate a explicação acima, alguns preferem recorrer a uma segunda hipótese, face à presença deste sobrenome em outras áreas, fora do arco setentrional. Embora viável e plausível, a teoria é aceita com certa reserva.

Os defensores desta teoria recorrem ao termo latino mola que se origina do grego múle, designativo da mó, a pedra redonda que triturava os cereais na fabricação da farinha. A técnica de triturar os cereais, entre os antigos, consistia em girar uma grande mó sobre outra fixa. Os latinos usavam a expressão molam versare ( virar, girar a mó), trabalho executado manualmente pelos escravos ou através da força dos animais atrelados, como consta no livro SaTirae (8,7) do escritor romano Decimus Junius Juvenalis (60-140 d.C.). Do termo mola, se forma molarius que designava o escravo ou indivíduo que girava a mó, como escrevem autores latinos, entre os quais Marcus Porcius Cato (III-II séc. a.C.) na obra De Agricultura (11,4) e Marcus Terentius Varro Reatinus (116-27 a.C.) no livro Res Rusticae (1,19). Entre os latinos, portanto, mola e molarius se referiam mais especificamente às mós de moinhos para trituração de cereais e aos escravos que giravam estas mós.

Na Idade Média, surge a profissão de amolar ou afiar objetos cortantes, como facas, espadas, gadanhos, foices, foicinhas, machados, lanças e uma infinidade de outros instrumentos agrícolas, armas e utensílios de uso doméstico. Ora, para o exercício desta profissão usava-se também uma mola ou mó que era girada manualmente através de uma manivela afixada a um eixo introduzido no centro da mó. Esta pedra do tipo pomes era a preferida na atividade de afiar instrumentos e utensílios. Neste mesmo período medieval, o termo latino molarius perde sua relação com a moagem de cereais e passa a indicar especificamente o afiador, o artesão que reconstitui o fio dos instrumentos. Já no tardo do latim dos séculos V e VI se utilizava a palavra molaria com o sentido de locus unde molae extrahuntur (local onde se extraem mós). Utilizava-se, outrossim, a expressão saxa molaria para designar as pedras para amolar, afiar. Houve, portanto, uma transferência de significado nos termos latinos originais. Em outras palavras, enquanto o moageiro era indicado com o novo termo molendinarius ou molinarius, o antigo vocábulo molarius ficou como indicativo exclusivo do amolador , do afiador de objetos.

Esta nova colocação terminológica tem respaldo na denominação da cidade de Molare, situada na Província de Alessàndria no Piemonte. A origem do nome desta cidade provém da quantidade de locais nos seus arredores em que se extraía esta pedra de amolar. No ano de 1284, a povoação é indicada com o nome de Molariis e em 1368 com o de Molariarum Civitas (cidade das pedras de amolar ou, segundo outros, citados dos amoladores, dos afiadores), em razão exatamente da grane atividade extrativa desse tipo de pedra. Por outro lado, nos falares dialetais do norte, surgiu o verbo molar com o significado de afiar, amolar. A profissão de molarius se difundiu em toda a Itália nesse período medieval. Enquanto no norte se usava este termo específico derivado de mola, ou seja, molarius, no centro-sul se preferia usar outro, derivado de rota(roda), isto é , arrotinus. Este termo prevaleceu no italiano oficial; ainda hoje se designa de arrotino o amolador de objetos metálicos, o afiador de instrumentos e utensílios cortantes.

Na Itália setentrional, o termo arrotino séo se utiliza hoje no uso do idioma nacional. Nos falares dialetais, ainda se usa o termo latino molarius que, através dos séculos, assumiu variadas formas como molaro, molar, moler. Mesmo na Região do Vêneto, prevalecem estes termos para se referir ao afiador. Em restritas áreas, porém, é chamado também de moleta, confundindo-se com moler ou molaro. O significado, portanto, so sobrenome Molon estaria ligado diretamente ao exercício da profissão de afiador, de amolador de objetos, do artesão que se utilizava da mola para afiar instrumentos e utensílios cortantes.

Resta estabelecer se o termo molon era usado realmente neste sentido; trata-se de suposição, baseada nas raízes lexicais do termo. Na Região do Vêneto, o termo moleta assume também o significado popular de vendedor ambulante de mós paras afiar e este vendedor ambulante poderia ter sido chamado igualmente de molon. O sobrenome, portanto, pode ter surgido desta atividade do ancestral fundador deste tronco familiar, de qualquer maneira, é indicativo, também neste caso, de profissão, de arte e ofício. Nota-se, neste caso, que a desinência - on empresta ao sobrenome uma característica distintiva e não de aumentativo. Em outras palavras, prefere-se dizer Molon, para estabelecer uma distinção com Molin, Moleta, Moletta, Molino, todos sobrenomes com raízes próximas.

Concluindo esta parte histórica-linguística, convém salientar que o nome da família Molon se caracteriza como proveniente de uma arte e ofício e é, portanto, um sobrenome indicativo de atividade exercida, de uma profissão. Que esta fosse a de artesão prático em afiar e amolar objetos cortantes, que fosse a de vendedor ambulante de mós para a mesma finalidade, que fosse um cultivador de melões e melancias ou vendedor ambulante dos mesmos produtos, isso não nos é dado saber com precisão por absoluta falta de documentação histórica a respeito. O sobrenome certamente se originou de uma destas motivações; difícil é estabelecer de qual delas. Não havendo documentação que possibilite dirimir com segurança, prefere-se optar pela mais viável das duas interpretações, a primeira.

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SURGIMENTO DO SOBRENOME

Na época do Impérito Romano, distinguiam-se e individuavam-se as pessoas através do praenomen, nomen e cognomen. O primeiro representava o nome próprio do indivíduo; o segundo repetia a designação do clã ou da gens a que pertencia este indivíduo; o último se referia à família ou ao grupo familiar inserido na gens. Assim, no nome completo do cidadão Marcus Tullius Cicero, o praenomen Marcus designar o nome próprio do grande orador e escritor romana; Tullius é o nomen derivado da gens Tullia; e Cicero, o cognomen da família em âmbito menor, insegira no grande clã, na assim chamada gens Tullia.

Com a queda do Império Romano , no ano 476 depois de Cristo, esta sistemática de individuação dos cidadãos, das famílias e dos clãs ou tribos, caiu em total desuso. Na Idade Média passou, pois a vigorar tão somente o nome de batismo para designar. distinguir e caracterizar as pessoas no seio da sociedade. Torna-se fácil imaginar a confusão gerada por essa nova sistemática simplificada ao extremo. Com a larga influência do cristianismo, os antropônimos se tornaram de tal forma repetitivos que, a partir do século VIII, surgiu a primeira fórmula moderna para distinguir um indivíduo de outro, ou seja, citando o nome do pai como expresso aposto ao do filho, como se pode observar neste exemplo; Paulus filius quondam P)hilippi = Paulo filho do senhor Filipe. Esta fórmula deu origem a muitos sobrenomes derivados de nomes próprios e designados como antroponímicos e patronímicos. A segunda fórmula criada nesse período acrescentava ao nome próprio da pessoa um cognome representativo da profissão ou atividade exercida, da cidade de origem ou do local da proveniência, de qualificação moral, de aparência física, de atributo específico, de ato de bravura perpetrado, de posição ou extração social, de título nobiliárquico, etc.

O sobrenome Molon surgiu, sem dúvida alguma, do uso e da aplicação da segunda fórmula citada, sendo acatada qualquer uma das duas teorias. Existiu, portanto, no período medieval, um patricarca ou paterfamílias cognominado Molon por uma das razões descritas acima.

Este patriarca tornou-se o capostípite (fundador, iniciador) de novo tronco familiar, ao repassar seu cognome aos filhos e descendentes, dando origem à Casata del Molon. o termo Casata ou Casato designava, de início, o casarão ou casario em que habitava a geralmente numerosa descendência do capostípite a cuja autoridade e tutela todos se submetiam . Posteriormente, o termo passou a indicar a própria família, o clã, o núcleo familiar que gravitava em torno do paterfamílias Molon. Ao indicar todos os membros desse núcleo familiar, a expressão se pluralizou em Casata dei Molon. Nota-se que o sobrenome reflete uma típica forma de plural, embora o elemento principal tenha permanecido invariável. Sabe-se que nos falares regionais do norte os vocábulos masculinos terminados em consoante geralmente permanecem invariáveis.

A expressão Casata dei Molon se simplificou, na fala popular e coloquial, e se reduziu a Casata Molon. Por fim, permanece somente o cognome designativo de todos os seus membros, Molon. Esta resultante se fixa como sobrenome específico e definitivo de toda a posteridade do capostípite Molon.

Resumindo, o sobrenome surgiu do cognome do capostípite. Seus filhos e demais descendentes passaram a usar este apelativo do ancestral fundador como distintivo da Casata ou como nome de família que se perpetua até hoje. Resta saber em que época o sobrenome surgiu. Estabelecer uma data precisa para seu surgimento é tarefa quase impossível., tendo-se presente o quanto foi dito acima sobre as lacunas documentais. Parece, no entanto, que a citação mais antiga remonte ao século XII. De fato, num texto paduano do ano de 1154, é mencionado um senhor chamado Grimaldus Molone. Se o sobrenome já existia sob esta forma, isto pode significar que já poderia ser difundido e remontar a pelo menos um século antes. Pode-se, pois, afirmar com certa segurança que Molon é um sobrenome que deve ter-se fixado entre os séculos XI e XII. De qualquer maneira, trata-se de sobrenome plurissecular e quase milenar ou, quem sabe, até mais que milenar.

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TRANSFORMAÇÕES FONÉTICAS

Quase todos os vocábulos em todos os idiomas passam, através dos séculos, por uma série de alterações na pronúncia e consequentemente na escrita. Estas modificações são mais profundas e marcantes quando ocorrem na passagem de uma língua para outra. Em lingüística histórica, elas são chamadas de evoluções ou transformações fonéticas.

O sobrenome Molon, admitindo duas origens, pode remontar ao vocábulo grego-latino melo, melonis, de acordo com a primeira hipótese . Mediante a substituição da terminação latina pela italiana, resulta melone que, nos falares setentrionais se fixa em melon, com a evidente supressão da vogal átona final. A passagem de Melon para Molon não se explica, se atesta e se registra como forma típica dos falares setentrionais. Talvez tenha sofrido a influência de mola, raiz que fundamenta a segunda teoria.

A segunda teoria busca a origem no vocábulo latino mola. Com o acréscimo da desinência descrita acima , - onis, - one, tem-se a resultante Molonis, Molone. No processo evolutivo, nota-se a supressão da vogal final.

O processo de fixação do sobrenome já foi descrito acima e se resume no uso das expressões casata del Molon e Casata dei Molon. Esta última corresponde à mais moderna e atual, famiglia dei Molon(família dos Molon).

Um quadro esquemático das origens do sobrenome e das transformações fonéticas ocorridas poderia ser assim apresentado:

MÉLON (grego) p. MELO, MELONIS (latim) p.

MELONE p. MELON p. MOLON ou

MOLA (latim) + -ONIS, -ONE p. MOLONE p. MOLON

CASATA DEL MOLON p.

CASATA DEI MOLON p

CASATA MOLON p.

MOLON

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SEU SIGNIFICADO

O significado do nome de família Molon, após a explanação e a argumentação apresentadas acima, parece bastante claro, senão de todo transparente, porquanto subsistem duas teorias que buscam uma interpretação definitiva do mesmo. Considerando-se a explicação concluída, convém tecer algumas considerações finais para detalhar alguns pequenos aspectos.

De acordo com a primeira teoria, o sobrenome Molon se reporta ao vocábulo grego mélon e ao latino melo, melonis, melão. O significado do sobrenome é transparente, indicando cidadão medieval que se dedicava ao plantio, à cultura prevalente de melões, melancias. O sobrenome se relaciona não somente ao cultivador, mas também ao mercador, ao vendedor ambulante desses produtos, não se podendo, contudo, determinar se esse cidadão se dedicava a todas essas atividades ou somente a uma em particular. Geralmente a figura do vendedor ambulante não era necessariamente um produtor, mas ocasionalmente poderia até sê-lo. Na sociedade medieval, o vendedor ambulante de produtos diversos era às vezes o próprio produtor, mas muitas vezes era simplesmente um intermediário ou o cidadão que levava os produtos até o consumidor final.

Acatando-se a segunda teoria, o sobrenome Molon recorda um cidadão que extraía mós para afiar ou o próprio afiador ambulante ou ainda que extraía mós para os moinhos. Como assinalado com relação à primeira teoria, é praticamente impossível estabelecer a qual das duas atividades ele se dedicava, quando não se dedicava a ambas. Neste caso, porém parece mais difícil, porquanto o amolador, o afiador era uma figura notória que se dedicava em tempo integral à sua atividade, perambulando de rua em rua, de cidade em cidade, de povoado em povoado.

De qualquer forma, qualquer que seja a hipótese certas com relação ao surgimento deste sobrenome, ele sempre evoca a figura de um profissional, seja na arte de cultivar a terra, seja na arte e ofício de extrair e confeccionar mós ou de amolar, afiar lâminas cortantes. Molon relembra pois, a profissão do ancestral fundador deste tronco familiar, designativo da profissão que, através do processo histórico de fixação dos sobrenomes, foi repassado como cognome peculiar e específico de todos os filhos deste e demais descendentes.

Concluindo, um patriarca ou paterfamílias dos séculos XI- XII, ao legar seu cognome como apelativo específico e comum a todos os seus filhos, deu origem à Casata dei Molon. A expressão se reduziu à forma do sobrenome atual que recorda e pereniza a figura e cognome do ancestral fundador desta Casata, o capostípite Melone, Molone, Molon. " Junho/2001.

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